Inspiração e processo
Em 19 de setembro de 2020, meu mundo virou de cabeça para baixo. Sem apoio da família, em meio a uma pandemia e desempregado, me vi com o desafio mais importante da minha vida: criar meu filho sozinho. Deixei Piabetá e voltei para o Vidigal com a cara, a coragem e a necessidade urgente de dar um futuro para ele.
Até ali, eu sabia o que era trabalhar duro, mas não sabia o que era cuidar de uma criança 24 horas por dia. O pânico veio, as crises de ansiedade bateram forte. Enfrentei a mente sem atalhos: por ser o único suporte do meu filho, não podia me dar ao luxo de fraquejar ou ceder ao cansaço. A saída foi encarar a tempestade de frente.
Orientado a colocar no papel tudo o que pesava no peito para aliviar a carga, descobri no meio do caos a minha maior vocação: a composição. O que começou como desabafo virou arte. Transformei cada dor, cada noite em claro e cada vitória em letra e melodia.
Hoje, canto sem rótulos ou barreiras de gênero musical, porque a vida não se limita a um estilo só. Minhas músicas não são apenas canções; são a prova viva de que é possível se reerguer. E se a minha história conseguir dar força para pelo menos se for uma pessoa no mundo continuar lutando e não desistir da vida, cada verso já valeu a pena.
